quarta-feira, março 31, 2010

Os Tanques também Amam

O que têm em comum Fernando Aguiar e um aleatório jogador de futebol, para além de ambos respirarem e serem seres orgânicos?

Provavelmente nada, tendo em conta que o jogador de futebol joga de facto à bola.

Fernando, por outro lado, foi meramente um profissional da área. Existem longínquos relatos de indivíduos que juram tê-lo visto em contacto com a redondinha, mas em todas as situações rumoradas, esse mesmo contacto terá acabado em tragédia:

Foi horrível. Instalou-se o pânico na bancada, as pessoas começaram a correr em direcções opostas, cobrindo os olhos com camisolas e os ouvidos com as mãos. E as crianças, meu Deus! Alguém PENSOU nas crianças?!?”

Jorge “Gazua da Póvoa” Gamboa, companheiro de Aguiar no Beira-Mar de 2000-01, ainda não superou os traumas enfrentados no dealbar de século:

“Nunca mais fui o mesmo. Vi um rapaz dos seus 17 anos a arrancar ambos os olhos com um saca-rolhas. Eu próprio perdi o amor pelo futebol, depois de vislumbrar o Fernando a tentar um passe atrasado sobre a meia-lua, num Beira-Mar – Chaves de 2001. Foi hediondo. Ainda hoje tenho dificuldades em ver trincos com a bola nos pés.”

Fernando, por outro lado, mantém-se à ilharga da polémica. Impõe o físico no duelo 1x1 e sorri perante médios criativos que sejam estúpidos o suficiente para acariciar a redondinha nas suas redondezas. Ser agressivo é crime? Será que o Pensador de Rodin foi criticado por ser demasiado granítico? Fernando é só mais um caso da arte imitando a vida, uma estátua intransponível com responsabilidades de tampão ofensivo. “Estanca a sangria, Nando!”, gritavam-lhe do banco. Ele nunca quis ser odiado. Fernando procurava amor, aceitação. Ele só queria ser amado – e dar porrada.

Serão duas coisas assim tão incompatíveis? O canadiano queixa-se entredentes da incompreensão e ignorância que grassam no futebol luso – a crítica chamusca-lhe o ego, os maliciosos piropos da bancada causam-lhe psoríase, mas o tanque esmaga tudo pelo caminho. Impiedoso, omnipotente, ciclópico.

O colosso da queixada rectangular arrepiou caminho no hercúleo Toronto Blizzard, atravessou o Atlântico a nado (e só com um braço – estava a ler os Lusíadas com o outro) até chegar à Madeira, nadou mais um bocado até à Maia, e foi aniquilando o desporto-rei, relvados vários e canelas aleatórias até atingir o objectivo principal da carreira: destruir um prédio de cinco andares à cabeçada.

E depois, pronto, lá chegou ao Benfica.

A sua contratação causou alguma surpresa, dado que o clube da Luz – apesar de tudo – estava mais habituado a adquirir jogadores de futebol.

Aliás, especula-se que a sua aventura no ex-clube de Alejandro Escalona poderá ter tido a ver com a presença do iraniano Samir Shaker na equipa técnica do mesmo. Os ventos do futebol luso sussurram ainda hoje que o soturno Shaker seria um agente enviado pelo governo de Teerão para aquilatar a disponibilidade de Fernando Aguiar se deslocar ao Médio Oriente para abraçar as funções de arma de destruição maciça na Guerra Santa contra os Infiéis. Samir supostamente já teria levado uma nega de Musa Shannon e Jokanovic no CS Marítimo do ano transacto. Com o cepticismo de Fernando e na sequência de mais uma recusa semi-lusitana à Jihad, Samir Shaker deixaria mesmo o futebol português no final da época, desaparecendo como o vento (ou como Victor Quintana) para parte incerta.

Na sequência da recusa à Jihad - e consequente permanência em Lisboa, Fernando sentia-se lisonjeado por poder partilhar a meia-lua com Andrade:

“Tenho muito a aprender com o Andy. A forma como ele despedaça ossos é lendária. E admiro a subtileza com que ele rasga tendões. Tudo o que envolve o seu jogo é tão etereamente belo, que me apetece dedicar uma Ode às suas proezas.”

Esta épica publicação pela pena de Fernando Aguiar acabou por nunca chegar às livrarias, mas corre a lenda no balneário do Benfica que vários jogadores derramaram comovidas lágrimas ao ler as delicadas estrofes do trinco.

Emanuele Pesaresi compara mesmo Aguiar a um Homem do Renascimento Italiano: “Ele é brilhantti. Suas parolas são tão comoventes e toccantis, que me fizzeram querer abrazzar homens.” Porém, o italiano afiança que as lágrimas foram resultado de outras situações: “Não, não…não houve lágrimas. Quer dizzere, houve, peró foi perché ele nos batia muitas vezes. E doía, doía molto. Porca miseria."

A História de Fernando no Benfica foi bonita. Efémera, como o grosso dos mais tocantes contos de amor, mas sedosa e envolvente como um fio de cabelo de Miguel Veloso. Entre 2002 e 2004, o Estádio da Luz viveu uma frutuosa relação com o trinco, pois não só usufruiu dos inúmeros talentos do jogador mais virtuoso de sempre a sair do Canadá (após Alex Bunbury, obviamente), como também poupou uns cobres no que respeita à demolição do antigo Estádio – conseguindo adquirir as percentagens dos passes da orelha esquerda de Azar Karadas, da coxa direita de Éverson e de um molar de Manuel dos Santos com o dinheiro que entretanto pouparam.

Porém, o grandiloquente canadiano tinha um sonho. Como todo o filho da terra, o Curling era a sua paixão, e por muito ecléctica que a agremiação lisboeta fosse, o desporto das vassourinhas não fazia parte do seu portfólio. Assim, Fernando fez a trouxa, e qual Lucky Luke cavalgando em direcção ao horizonte pintado a tons de pôr-do-sol, deixou a solarenga capital lusa em descoberta do gélido paraíso, de seu nome Landskrona, burgo sueco de fria reputação.

Como bastião maior do Landskrona Boll Och Idrottsällskap, Aguiar conseguiu finalmente preencher mais um vazio da sua gigante alma – manejar uma vassourinha em cima de um parquet de gelo (e destruir um glaciar à cabeçada, mas isso fica para outras núpcias).

Finalmente realizado, Aguiar perdera a raiva, combustível futebolístico de outrora, e era agora um casulo de Paz, um ursinho de pelúcia com fresco odor a lavanda. E a sua performance ressentia-se. No duro campeonato sueco, palco das estrelas e Céu das mais brilhantes constelações da redondinha, Fernando era apenas mais um. A bola atrapalhava, o gelo não ajudava e pela primeira vez na sua vida, o tanque canadiano não ripostava ceifando, arrastando, puxando e maltratando os oponentes. Não. O veterano de tantas batalhas perdera aquilo que o tornara especial.

Assim, só havia uma solução possível - voltar ao local onde fora feliz: onde Fernando Aguiar aprendera a ser Fernando Aguiar. Portu fuckin' gal.

Deixando a meio a tela do sonho pintalgada a Curling, o nosso amigo abandona os barbáricos túneis do Landskrona Boll Och Idrottsällskap para ingressar num clube português cuja sigla é F.C.P. e que conta com Clayton, Folha e Ljubimko Drulovic no ataque. Infelizmente, o calendário segredava o Ano da Graça de 2004 – e o tal F.C.P. era o Futebol Clube de Penafiel, cujo decrépito trio ofensivo cruzava o cautchú em decomposição para a cabeça de Rolf Landerlhardly a Mário Jardel, i say.

Enfim. É o que se arranja. De qualquer forma, não é qualquer um que tem a Honra de poder contar aos netos que formou barreira ao som dos autoritários grunhidos do lendário keeper João Viva, uma espécie de Pedro Roma das divisões secundárias.

Seduzido pela alva barba do Major Valentim, Fernando ainda deu uma perninha tetra-anual no principal grémio da cidade de Gondomar, onde pôde partilhar balneário com o Fumo, coisa que certamente não lhe terá feito bem aos quatro pulmões. Terminou a carreira flirtando com os quarenta, a distribuir fruta ao lado de ícones como Fabeta e Idalécio.

Decididamente, a coisa poderia ter corrido bem pior para a primeira arma de destruição maciça a sair do Canadá – mesmo que a carreira no Curling não tenha sido inteiramente frutífera.


Post Scriptum Cromatium: algumas destas imagens foram desenvergonhadamente surripiadas do bossiânico blog Vedeta ou Marreta.

sábado, março 20, 2010

Beira Mar vs Viseu há 13 anos - 97-98

Este video vale a pena.
Gilberto Madaíl e Dias Ferreira há 14 anos atrás. que novinhos e amigos que eles eram..
Jogadores de cuecas a correr à volta do campo... onde é que hoje se ve isto?
Lobão e a sua imponente compleição física...Eusébio, Jorge Neves, Welder, que equipa!!!



Uma bela recordação do nosso baú!

domingo, março 14, 2010

A Nossa Selecção

A Cromos da Bola, SAD associa-se mais uma vez a uma nobre iniciativa. Eis a nossa modesta contribuição: um exemplar fotográfico representando a nossa Selecção de sonho - sim, uma Selecção alicerçada no robusto e genuíno bigode lusitano.
Foi difícil encontrar géneros bigodescos do meio-campo em diante. O bigodis lusitanensis, espécie hoje mais rara que um lince na Malcata, tinha o seu habitat natural nas selváticas defesas. Gostava de povoar a meia-lua em manadas gregárias, onde, entre a lama e bombos de claques femininas provenientes do peão, soltava os seus cotovelos e distribuía entradas em riste na sua luta pela sobrevivência. Aquilo para lá do grande círculo era geralmente um território inóspito e para tipos de fartas mullets aos caracóis com menos de 1,60m. À falta de registas bigodudos e de homens de área com a codícia em forma de pêlo facial, optámos por aquilo que as grandes selecções mundiais têm optado: as naturalizações.
Um grande bigode a todos que descobrirem os nomes deste onze que, não sendo de luxo, é pelo menos galhardo e honesto. Eles sabiam lá o que era o luxo, pá.

segunda-feira, março 08, 2010

O Pequeno Quim

A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.

Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.

Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.

Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.

Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.

Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.

Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.

Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.

Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.

De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - O Encerramento

E como tudo o que é bom tem um fim, a Gala Cromos da Bola de 2009 conhece hoje a sua brutal decapitação. Sim, nós sabemos que estamos a chegar a Março de dois mil e DEZ, mas estamo-nos a borrifar para picuinhices. Para picuinhices e cadeiras com mau apoio lombar. Também não apreciamos isso - que fique bem claro.

Quando um evento desta magnitude dá de caras com o seu términus nas esquinas escuras da vida, o espectáculo tem que ser uma panela borbulhante de entretenimento. Assim sendo, a noite de glamour começou com um concerto da muito aguardada dupla Dinis & Graciano Saga, com o êxito "Vai Devagar, Emigrante Cipriota", dedicado ao ex-internacional Luís Loureiro e à ex-putativa-promessa Edgar Marcelino.














A multidão aplaudiu entusiasta, exceptuando Rui Patrício, que demonstrou dificuldades em juntar as duas mãos num movimento simultâneo. De seguida, os co-apresentadores Eládio Clímaco e Mílton Caccioli introduziram o momento alto da Gala - os Rui Óscares destinados aos dois filmes mais esperados do ano. De permeio, o Mago Calvo aproveitou para promover o seu novo livro, "Mangonga: Um tributo ao pistoleiro de lábio cinzento".
















Praticamente toda a plateia olhou de canto para esta desenvergonhada tentativa de auto-promoção, à excepção do entusiasta Pedro Roma, companheiro de ambos no Gil Vicente de 1993/1994 (não, esta parte não foi inventada - mil novecentos e noventa e três/noventa e quatro - assim mesmo). Roma - que para os mais distraídos, deu o nome à Cidade Eterna em 753 a.C. - iria mesmo ter um serão bastante feliz, mas lá chegaremos.

Para já, ficamos com o vencedor do Rui Óscar para a comédia dramática do ano: The Royal Crombaums. Uma película controversa, dado ter contado com o maior orçamento de 2009, esbanjando papel moeda naquilo que diversos críticos consideraram ser "um escabroso erro colectivo de casting". Nós, no Cromos da Bola SAD, preferimos o termo "humor não-intencional".
Porém, toda a polémica envolvente não abalou o estado de espírito dos intervenientes. Milan Purovic estava especialmente eufórico, ao tornar-se no primeiro ser humano com dois pés esquerdos e uma cabeça poliinsaturada a vencer o mesmo Rui Óscar por dois anos consecutivos: "Isto servir para demonstrar que persistência também poder levar a falhanço total e abjecto. Ser bonito e construtivo."

Nélson Benítez arrebatou corações no papel recorrente de cowboy gay, mas o nosso enviado especial não conseguiu chegar à fala com o argentino. Segundo o seu agente/proxeneta, Nélson estaria com a agenda demasiado preenchida, a tentar ser o terceiro suplente de uma equipa do meio da tabela da segunda divisão argentina. Para estas desventuras e tantas outras, a redacção envia-lhe sinceros votos de sucesso.

De toda a maneira, conseguimos arrancar umas palavras ao protagonista Felipe Caicedo, que demonstrou toda a sua eloquência ao ensaiar comer o Rui Óscar. Com toda a certeza que tem aspecto de ser delicioso, quem somos nós para julgar um profissional que vale tantos milhões de libras? Mais: se o Sr. Caicedo quiser, até podemos temperá-lo com Vinagre e uma pitada de Loureiro (e assim, de forma tão nonchalant, acabámos de bater o recorde blogosférico de referências ao Luís Loureiro num post apenas).

Outro sul-americano, Sebastián Prediger, foi o preferido dos caça-autógrafos. Na sua primeira aparição pública em solo Europeu, o milionário trinco assassinou e enterrou vivos todos os rumores que asseguravam que teria 2,54m de altura, pele lilás, dentes de bode e carapaça de tartaruga ninja.
"A força do boato é tremenda"
, desabafou o esbelto ché, enquanto recebia o Rui Óscar das sensuais mãos de Britney Spears: "Eu e o Sebas temos tanto em comum...fiz questão em vir entregar-lhe o prémio aqui a Espanha, neste continente tão emblemático como é o Africano. Não só tenho uma admiração tremenda pela sua carreira, como também queria ver se o João Moutinho é tão pequenino como diziam. É tão kiduxoooo!!!"


E foi neste ambiente glamouroso que o verdadeiro sorvete de limão desta Gala foi servido a todos os convivas sob a forma de Pedro Roma. O provecto goleiro, vencedor do prémio carreira, aproveitou a ocasião para promover a seu romance, o ternurento "O Velho e a Baliza". Pelo que foi dado a perceber, a trama é um bocado um episódio do Tsubasa na óptica do guarda-redes e transposta para o papel. Citando apenas uma parte do texto, "eu vi a bola, e ela vinha em direcção a mim, cheia de força, a girar pelo ar a toda a velocidade, eu preso ao chão, a olhar para a bola, todos os jogadores estáticos, e eu disse para mim, hás-de ser minha custe o que custar, senão o Pavlovic dá-me uma solha quando o jogo acabar, a bola estava a aproximar-se, a chegar-se para mim envolvida num halo brilhante, eu mexi os braços, abanei-me um bocado, e quando aquele zumbido da bola se ouviu mesmo perto, eu..."

Bonito, mas um bocado chato. Laranjeiro bocejou tanto que até deixou cair as folhas. Paulo Turra queria dizer que estava de volta mas acabou por adormecer e perder a oportunidade. Portanto, restou-nos convidar Pedro Roma a sair airosamente do palco, com todo o cavalheirismo possível. Para esse efeito, destacámos o habitualmente sensível Petit, que cumpriu essa missão com a afabilidade que se lhe reconhece. Pedro Roma parece ter ficado de alguma forma agastado com esta situação, como a foto documenta. Mesmo que Petit nem sequer lhe tivesse cuspido. Palavra de Ronny.



No final, registou-se uma salutar convivência entre os convidados, onde se aproveitou para falar sem tabus de velhas entradas a pés juntos, remates escandalosamente falhados, penteados espampanantes, entre tantas outras coisas tão bonitas. Bigodes e carecas, búlgaros ou brasileiros, todos juntos a celebrar, já ansiando pela Gala de 2010 em 2011.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Sétima Noite

Este Rui Óscar foi polémico. Por várias razões. Desde o uso controverso da touca numa piscina relvada sem vestígios de cloro até ao mastigar boçal de Jorge “The Terminator” Jesus, que ofendeu toda uma comunidade religiosa filipina e despertou-lhes uma fúria capaz de lipoaspirar a seco o verrinoso mister. Foquemo-nos em apenas duas.

A primeira razão tem a ver com o filme em si. “The Argentinian Diving” nem sequer é um filme na verdadeira acepção da palavra, se quisermos ser rigorosos: é antes um rodízio de sketches aglomerados de forma tão atabalhoada que até parece que foi o Grimi que esteve na pós-produção. A segunda razão prende-se com a avaliação da peça galardoada: o consenso esteve longe de ser atingido, mas uma nota exarada do Conselho de Arbitragem da Liga acabou por decidir a favor da atribuição do prémio. Porquê? Ora essa, não tem de haver nenhuma razão. Porque sim, ponto final. Parágrafo.

A beleza das acrobacias sul-americanas nas grandes áreas inebriou alguns jurados, maravilhados com os “downward spinnings” dos flexíveis avançados de vermelho vestido. Como por exemplo MarcEu Entrei no Green MileZoro, que tudo fez para poder ter o prazer de visualizar um mergulho de chapa mesmo à sua frente. Outros, todavia, torceram o nariz (excepto o Drulovic, que não tinha por onde pegá-lo) a uma colecção de imagens que deve pouco à originalidade e que, três-meia-volta, se reinventa para definir um campeão antecipado. Citando Valerioriginal, original, era eu jogar e fazer alguma coisa que disfarçasse a elevada comissão que o meu empresário embolsou com a minha contratação. Ou isso, ou ver finalmente o Afonso Martins a fulgurar no papel principal de um filme de vampiros”.

Na recepção do galardão, o trio de argentinos deu largas ao regozijo e Aimar não se coibiu de cair nas escadas de acesso ao palco após uma violenta expiração de ar de um malvado mosquito que atravessava a sala. Olegário Benquerença & Cia., alarmados, expulsaram toda a gente da sala, não fosse o diabo de Gaia tecê-las. Mas era tudo parte de um plano magistral para mitigação da mega-depressão que pairava sobre vários milhões de apaniguados, caso estes passassem mais um ano atrás do ensandecido Sporting de JEB e Sá Punch (ao pé destes, o Paulinho até parece ter um doutoramento honoris causa). Rapidamente recomposto, Aimar clamou “¡ya somos campeones!” e partiu para a marca dos onze metros com uma tal convicção que S. Rui Costa permitiu-se abandonar o túnel por breves instantes para derramar uma lágrima de Paixão junto dos seus.

Para a posteridade, as palavras do mister JJ: “Eu já sabia. Estava-se mesmo a ver-se. Foi o crolário… o curuláriu… o cru… foi essa coisa lógica das coisas, prontos. Estes três jegadores formam uma parelha de luxo que não há igual em Portugal e se calhar até no próprio Benfica. E para ter unhas é preciso tocar guitarra, não é? Podíamos ter caído ainda mais, mas prontos, fizerem tudo o que eu lhes pedi, e fizerem bem, se não tivessem fazido já cá não estavem comigo, não é? Agora é continuar com esta humildade e rebentar com as fuças da próxima equipa de coitadinhos que se nos atravessar ao caminho, não é?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Sexta Noite

A Gala prossegue com a entrega de mais um Rui Óscar 2009.
O senhor que se segue representa uma das dores mais comuns e nefastas para o comum mortal. A dor de dentes.

Assim ficou Cissokho após ter sido negada a transferência para o AC Milan.
O Cromos da Bola, SAD sabe que foi detectada uma casca de ovo num dente molar, após a praxe de farinha e ovos que teve na recepção do Dragão, 6 meses antes. Cissokho alega que descende de galináceos, aliás como se pode comprovar pela fronha do lateral esquerdo bomba do futebol português.


O Lyon surge na vida (na boca) de Aly como uma verdadeira fada dos dentes. E agora quem se ri com toda a dentuça é o Sr. Aly Cissokho, que há 1 ano sensivelmente jogava ao lado de jogadores como Anderson do Ó, Michel e Filipe Brigues, e à sua frente combinava com Laionel.
Só por isso, o Rui Óscar é inteiramente merecido.
No entanto, esta gala fica marcada pela reacção primeiramente intempestiva, em que Aly Cissokho quis recusar o prémio e atirá-lo para longe, numa reacção à Pedro Silva.


No entanto, após perceber o impacto positivo que teria para a sua carreira, Aly Cissokho ergue triunfante o Rui Óscar. (que fique claro para os nossos leitores que o Rui Óscar nao tem vertigens. Caso contrário, não poderíamos estar sempre a levanta-lo e a ergue-lo a níveis tão altos...)

domingo, fevereiro 07, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Quinta Noite

[start]
Quinta noite gala Cromos [stop]
Noite Sporting [stop]
Dois filmes distinguidos [stop]

1º filme [dois pontos]
Acção [stop]
Crime [stop]
Um ladrão especializado em trabalhos de grande envergadura [stop]
Bastante arriscados [stop]
Lucílio Baptista [stop]
Um vigilante com a vida em pedaços [stop]
Demandando justiça [stop]
Pedro Silva [stop]
Um parceiro do ladrão [stop]
Sem pejo de manusear armamento verbal e não só [stop]
João Gabriel [stop]
Thriller [stop]
Tensão [stop]
Imagens fortes [stop]
Palavrões a fluírem como cerveja [stop]
Provavelmente, o filme mais falado do ano [stop]
Heat – Calor [stop]
Durante a cerimónia [stop]
Lucy e João não negaram a proximidade [stop]
Abraçaram-se [stop]
O tempo todo [stop]
Com isso [stop]
Pedro Silva agarrou-se ao Rui Óscar [stop]
O tempo todo [stop]
E enquanto Lucy e João pensavam entre si [stop]
“Será que ele me deixa apalpar-lhe o rabo?” [stop]
Pedro Silva meditava para os seus botões [stop]
“Será que consigo atirar este Rui Óscar a mais de 50 metros?” [stop]
Mas não o fez [stop]
Mal por mal [stop]
Aquele Rui Óscar [stop]
É o único troféu ganho por Pedro Silva este ano [stop]
Lucy e João [stop]
Saíram mais cedo [stop]
Passaram numa loja de conveniência [stop]
Compraram várias garrafas de Carlsberg [stop]
E foram curtir para um motel [stop]
A noite toda [stop]

2º filme [dois pontos]
Paixão [stop]
Ternura [stop]
Amor proibido [stop]
Um remake do filme português “Amo-te Teresa” [stop]
Um presidente que amou mais do que devia [stop]
Um treinador enredado num losango [stop]
Ai ai o coração [stop]
Perdoe-se-lhes a loucura [stop]
Eles estão amando [stop] Mas pelo sim pelo não [stop]
Foi melhor colocar um colete-de-forças no Bettencourt [stop]
Digamos que ele não está a 100% [stop]
Arranjou uma mialgia no cérebro [stop]
Porque o homem ainda está a viver muito a sua personagem [stop]
Acontece aos grandes actores [stop]
Mas ele está a procurar ultrapassar a situação [stop]
Está a esforçar-se [stop]
O que é que ele fez [ponto de interrogação]
Foi de férias para o Brasil [stop]
É que aqui faz frio [stop]
E parecendo que não [stop]
Isso mói a cabecinha [stop]
E pronto [stop]
Pode não ter ficado muito melhor [stop]
Mas estava muito mais bem disposto [stop]
Voltou agora para receber o Rui Óscar [stop]
E se calhar amanhã ou depois [stop]
Vai pedir para ir buscar as filhas do Paulo Bento ao colégio [stop]
Quando este arranjar trabalho [stop]
Amanhã ou depois [stop]
[end]

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Quarta Noite


Na quarta noite da Gala, um vencedor antecipado.

"Panico En El Tunel"
, de São Costa, foi o escolhido nas categorias de melhor filme de extermínio de massas e melhor documentário sobre a vida animal e animalesca, tendo sido de igual forma premiado pelos seus inovadores ângulos de câmara.




São Costa, insigne realizador e actor secundário da obra, revelou-se feliz pela escolha dos arrojados planos que permitiram tornar a acção mais escorreita e selectiva: "O meu amigo Sandrinho da Prosegur está de parabéns. Foi ele o director de fotografia. Por muito bons que os meus planos estivessem idealizados no storyboard, o Sandrinho conseguiu captar os melhores ângulos de filmagem possíveis, e estou-lhe bués de grato por isso. Até porque eu estive sempre de mãos nos bolsos e não conseguia manusear a câmara. É muita coisa ao mesmo tempo."
















Na entrega dos Rui Óscares, o mais feliz era o Diabo de Gaia, premiado com o Rui Óscar para melhor actor secundário: "Não foi fácil levar a cabo tal produção. Havia demasiados figurantes, uma confusão do carago. Vejam os calos que tenho na mão direita, de apertar tantos cachaços. Vejam! Mas valeu a pena."

Vandinho, O Incrível Hulk, Márcio Mossoró e Cristian Sapunaru também receberam menções honrosas pelas participações na película, mas o paradeiro dos actores é, até à data, desconhecido - exceptuando o do romeno, como aliás realçámos em post anterior.

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[nota da redacção] A equipa de reportagem de Cromos da Bola, SAD afirma por este meio que a suspensão de 7 meses a que foi votada pela presença no túnel aquando da entrega dos Rui Óscares é totalmente inadequada e a todos os níveis escandalosa. Não é assim que irão derrotar este blogue, e vamos lutar contra este indecoroso processo com todas as nossas forças. Obrigado.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Terceira Noite


Está uma noite estrelada, embora um pouco fria. Nada que incomode Miguel. “Iá, o frio, man, não me aquece nem me arrefece, iá? Tenho, tipo, um, iá, blusão de penas que gamei a um sócio lá em Xabregas, ‘tás a ver? Mem’ assim, iá? É bué da bom o blusão, man, custava trezentos euros na boa, iá? Caguei pró frio”.
Miguel é um jovem que cresceu nos subúrbios. Sabe de cor a cartilha dos pequenos assaltos, é bastante hábil quando toca a escaramuças, domina a linguagem dos bairros e, para além disto, conhece o futebol profissional por dentro. O bichinho do futebol cedo se atravessou no seu caminho e, surpreendentemente, Miguel não o esmagou e conservou-o numa caixinha de cartão com uma folhinha de alface. Assim sendo, o menino Miguel deu por concluída a sua prestação escolar antes do previsto e, como consequência, falhou o sonho que movia todos os meninos do seu bairro: ser um narcotraficante com um Mestrado em Sociologia que também lançasse álbuns de hip-hop na Florida. O chamamento da redondinha prevaleceria ao longo da sua vida. E todos os grandes futebolistas se lembram do seu primeiro contacto com o esférico. Miguel não é excepção. “Eu, tipo, mais a minha crew, iá?, demos a boca a uma bola de cautchu que o betinho lá da escola levou um dia e, iá, foi assim que tudo começou, foi aí que eu dei os meus primeiros pontapés num objecto, iá?, que eu só me habituara a mandar biqueiradas nos meus amigos. Eu ainda era muito tenrinho. Depois, claro que evoluí, iá? Tipo, deixámos o betinho na boa e fomos directamente à loja de desporto, iá? ‘Tás a ver, só cenas tipo Adidas, Puma e Rucanor e eu, iá, é mem’ assim, quero ser jogador da bola e andar aí a curtir tipo mega-estrela dos Ídolos, cenas de marca e o caraças“. [NDR: Miguel utilizou várias vezes um sinónimo que rima com “alho”, que só por decoro nos escusamos de repetir] É claro que nem tudo foram rosas na carreira. Houve alguns reveses. “Iá, é assim, o primeiro foi logo o prof de Português, começou a stressar comigo por me baldar às aulas para jogar à bola e a dizer que chamava os meus cotas e cenas do género, mem’ naquela, a ameaçar-me, ‘tás a ver? Mas eu, iá, não podia parar e a crew da minha street tratou logo dele, iá? Tipo, demos-lhe um ganda enxerto da porrada, mem’ à frente da escola, que era para que todo o people visse. Iá, foi aí que eu senti o poder da bola a chamar por mim. Pá, e eu senti o people todo comigo, ‘tás a ver? Ganda cena, iá? Tens de sentir a cena, man. E seguir em frente".
Hoje Miguel sabe que as dificuldades inerentes ao profissionalismo persistem e, mais maduro, deixa alguns conselhos àqueles que pretendem seguir as suas pisadas. “Man, há cenas de que eu me arrependi, iá? Tipo, o tal enxerto que demos ao prof. Foi má onda. Quando eu tive a minha primeira fusca, disse logo pra mim, «pá, ó Miguelito, tu com esta cena é que devias ter ido aos cornos do prof, tinha doído menos as mãos», iá? Mas, prontos, são cenas. O que eu digo aos putos é para andarem armados. Iá, tipo, mete um ganda cenário. E é assim, treinem os vossos pontos fortes. Por exemplo, ao fugir da bófia e dos picas no comboio, eu treinei os sprints e as fintas de corpo que me levaram a ser um ganda lateral hoje em dia. E sou capaz de tirar a cinza de um cigarro a um tipo a fumar à janela dum rés-do-chão dos Olivais com um tiro de 6,35 mm, estando eu em Chelas, iá? É muito treino. Respect”.
Ver Miguel, o menino dos bairros problemáticos ignorados pelos centros de poder, a receber um prémio encerra em si um enorme significado. “Pá, iá, sinto que mereço, sou suficientemente humilde para reconhecê-lo, ‘tás a ver?”. Miguel apresentou-se vestido com a sua farda oficial de hip-hopper, deslumbrante com o seu boné estrategicamente mal colocado e não esquecendo os ornamentos fundamentais, de que é exemplo a arma. Miúdas de 14 anos gritaram muito e soltaram muitos palavrões de desejo na sua direcção, num delírio colectivo pseudo-espontâneo bem à imagem da MTV. Porém, Miguel revela já ser comprometido. “A Marlene [NDR: o nome que Miguel dá à sua arma] anda sempre comigo. A Marlene é a minha dama, iá? 4 real. Já tive muitas damas, iá?, tipo a Jessica Carina das Olaias, mas quando vi a Marlene, man, senti uma cena do caraças. E a Marlene tem uma personalidade forte e é muita rápida, tipo, iá, tipo, somos tipo, tipo do mesmo tipo, iá? São cenas bué difíceis de explicar. E depois a Marlene abafou a Jessica Carina, que ficou paraplégica, e conquistou a minha crew e, iá, ela é bué importante para a minha estabilidade emocional. Há cenas que um gajo pensa que são definitivas e que depois não são, como aquela tatuagem do Tupac Shakur que o meu primo me fez aos 16 anos e que depois saiu com álcool, mas esta cena da Marlene é para a vida, ‘tás a ver? É uma cena que ‘tá aqui, iá?”, diz Miguel com os olhos humedecidos, pousando uma mão sobre o coração e agarrando firme o Rui Óscar com a outra mão. E como Miguel, o menino de infância turbulenta, se sente agora, exposto na mediática prateleira do sucesso? Podia haver algum nervoso miudinho antes de entrar em palco, como seria natural, todavia Miguel assegura-nos que nada disso se passou. Com a postura característica dos grandes homens. “Iá, ‘tava, tipo, uma beca cagado, iá, mas depois de fumar uma ganza king-size fiquei na boa. Tipo, o segredo é colares as mortalhas em «L». Se não sabes colar as mortalhas em «L» e não sabes centrar uma bola, esquece puto, isto da bola não é para ti, iá? E eu ‘tou sempre a representar, iá? Na boa, sócio”.
Recebido o galardão, Miguel pega na sua tribo de amigos e celebra em conjunto com um rap improvisado na hora. Está ansioso em partir para a festa. “Iá, agora é curtir, man, e mamar as litradas de cerveja que orientámos no Lidl. Eu sou tipo a Cyndi Lauper e digo «girls just want to have fun», mas tiro a parte das «girls» e meto lá outra cena qualquer, iá? Tipo, «bois», que somos nós, ‘tás a ver? Curtiste a cena? AHAHAHAH!, people do gueto é do caraças, man, ganda humor, mem’ naquela. Quero é ‘tar sempre a bombar, sempre na boa, iá?”. A noite está fresquinha mas Miguel continua a altas rotações fora da Gala Cromos da Bola 2009. Não havia segurança capaz de o deter. Este lateral direito é imparável.

NOTA DA DIRECÇÃO DA CROMOS DA BOLA, SAD: A peça acima reproduzida não retrata as pressões indignas que a Cromos da Bola, SAD sofreu na sequência do anúncio da entrega dos Rui Óscares 2009. Quando nos preparávamos para atribuir o Rui Óscar para o melhor filme criminal, Miguel “ofereceu-se” para receber o galardão da forma que passamos a citar: “Iá, ganda mambo, quero essa cena pra mim, sócio”. Dado que os seus argumentos eram irrecusáveis, nomeadamente, a parte da arma na sua mão, a SAD acedeu com algumas reservas, tendo em vista o superior desígnio que é a prossecução do evento. O título do filme é uma transcrição do que Miguel nos disse na altura: “Man, não vou o quê? Eu vou entrar, iá? E é bom que entre na boa, sócio… ‘Tás a ver? Sócio, tudo o que tiveres nesses bolsos é meu”.
A todos os que perderam a carteira nesta cerimónia a organização lamenta mas declina quaisquer responsabilidades.
Ainda nos meandros do crime, cabe à SAD declarar que o grande indigitado para vencedor desta categoria era Pinto da Costa, mas a SAD à última hora escutou, numa das suas costumeiras conversas ao telemóvel, que Pinto da Costa não viria receber o galardão. Isto porque Pinto da Costa detém uma enorme fobia a máquinas fotográficas, como certos jornalistas já sentiram numa dada rua do Porto. O sentimento é ilustrado pela foto abaixo. Como há muitos flashes neste certame promovido pela nossa SAD, e julgando que tal poderia perturbar o andamento da cerimónia, a SAD optou por não convidar Pinto da Costa. Este, porém, mostrou-se bastante honrado e transmitiu-nos a ideia de beber um galãozinho com fruta em nossa honra e de dedicar o prémio à memória do Guarda Abel. E a nossa SAD, numa outra escuta que acedeu, confirmou que este sentimento de empatia para com a nossa SAD é verídico, pois ouviu Pinto da Costa a aconselhar o Valeri
“Ó morcão, tens um sítio porreiro para visitar num destes dias e onde te vais sentir como Peixe na água, que é aquele blogue de atrasados mentais”, ao que Valeri respondeu “Sí, señor Presidente, como un centrocampista muy guapo en el agua”.

domingo, janeiro 24, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Segunda Noite

O horror. O drama. As vidas perdidas, carreiras decepadas. Crianças que choram, adultos que desesperam. Tudo isto poderia ter sido resultado do Sá Pinto ter encontrado uma mosca na sopa, mas não: na produção premiada com o Rui Óscar para filme de terror com mais amputações posicionais, temos LEFTY HELL - a estória de um tresloucado lateral argentino tão massivamente incapaz, que sozinho consegue a proeza de obrigar o seu treinador a tirar três jogadores das respectivas posições de origem, pondo-lhes a sanidade mental em acentuado risco.

Entrevistado à entrada, João Moutinho negou-se a tecer qualquer comentário ao filme, dado ter-lhe sido barrada a entrada nos cinemas, pois o seu visionamento está interdito a menores de 12 anos.
Esta situação causou alguma celeuma, visto que José Dominguez teve o mesmo problema que o capitão sportinguista: "Nem quando mostrei o B.I. os gajos me deixaram entrar. Ainda os tentei driblar, mas caí, rebolei e fui copiosamente ignorado. Aproveito a oportunidade para anunciar também que irei processar os responsáveis pelos anúncios do iogurte Danoninho por publicidade enganosa. Obrigado."

Alheio à polémica, José Shaffer (irrepreensível no exigente papel de Crazy José Shaffer) mostrou-se felicíssimo pelo galardão.














Através de vídeo-conferência em directo do relvado da Luz, o argentino exibiu a estatueta (demasiado) abraçado ao seu melhor amigo, Patric Lalau.
Mas por que razão brandia o excitado Lalau um Rui Óscar?

Pois bem, para descobrir esse e outros mistérios (tais como o paradeiro de Seba Prediger e dos Pólo Norte) mantenham-se colados ao écran do CDB SAD, tal como o Darko costumava fazer.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Gala Cromos da Bola 2009 - A Primeira Noite

E a Gala começou com uma pequena surpresa:




















"Beerfest", um filme que passou sob o radar dos críticos de cinema mais conceituados, ziguezagueou em contra mão por uma faixa de sentido único até esbarrar contra a parede do sucesso.
Este inesperado vencedor conta com as inebriantes prestações de jovens promissores como Ciel, Sapunaru, Ilusão, Leandro Grimi, e com o surpreendente regresso do veterano Serguei Yuran, no papel de Mad Max da Boavista. Com tanto talento em exibição, o espectador não se importará certamente de ver em duplicado.














Ébrio de felicidade, o grupo vencedor festejava no bar do teatro onde se realizou o certame - curiosamente já antes de saber que iria ser galardoado com o prestigiado Rui Óscar Para Melhor Comédia Etílica. Parece que o Ciel tinha roubado um Rui Óscar qualquer.
O veterano Yuran faltou à confraternização por alegadamente ter atropelado quatro pessoas e um cão a caminho do evento - estará possivelmente a caminho do Botswana.
Quem gostou de ver uma caneca vaga à mesa foi Alberto João, que fez o obséquio de abrilhantar a festa dos quatro campeões no desporto de levantar o copo.

Na ressaca da surpresa a abrir, iremos continuar a seguir os filmes premiados do ano de 2009.
Mantenham-se ligados a CDB,SAD.

domingo, janeiro 17, 2010

BiChanos

A união homossexual já está no papel. Era impossível reprimir a vontade do arco-íris durante muito mais tempo. E os sinais eram mais que evidentes. Pegando no futebol, sempre houve comemorações demasiado exuberantes (isto é para ti, André, que apalpaste o Jorge Couto sem pudor em Alvalade) e beijinhos por dá-cá-aquela-palha entre homens musculados, algo que nunca levantou grande celeuma (“ah, eles estão muito contentes”, desculpava-se). Portanto, o futebol, nestas manifestações ocasionais, acabou por ser uma montra de grande visibilidade para a propaganda gay.
Tomai como exemplo a gravura supra – uma amostra do Benfica vintage de 1999/2000, já lá vão 10 anos. Vintage sim, porque de uma só penada juntaram-se ícones da estirpe de Bossio, Sérgio Nunes, José Soares, Okunowo, Uribe, Tote e, claro, Chano, só para não ser exaustivo, já que podíamos passar meses a compilar enciclopédias em torno dos nomes deste plantel.
Dissipadas as subtilezas, esta foto é devastadoramente icónica. Um instantâneo pleno de oportunidade, captando um casamento perfeito a três entre os jogadores em causa, o espaço e o tempo, que podem ser ou não do mesmo sexo (cá para mim, o tempo e o espaço são hermafroditas, embora sejam muito polivalentes dentro das quatro linhas). Só por mera distracção esta gravura não está exposta numa dessas casas do Bairro Alto, ao lado de um pictograma do Ronaldo em tronco nu. Aqui está uma barreira constituída por personalidades marcantes, na qual o preconceito só podia esbarrar com estrondo.

De Machairidis, o relâmpago grego que faiscou pelas bandas da Luz, dizia-se à boca cheia pelo terceiro anal, perdão, anel, que possuía tendências capazes de fazer corar o próprio deputado Miguel Vale de Almeida nas suas delirantes festas de mudança de partido.
Nuno “Amélia” Gomes, o grande falhador de golos (por oposição a “marcador”), dispensa apresentações.
E sobre Calado, bom, é melhor remetermo-nos ao silêncio.
Depois, o infeliz Rojas, no sítio errado à hora errada, parece um caso típico de quem se equivocou nas companhias e acabou num bar só com homens, procurando esquivar-se daquela barreira enquanto é tempo. Aliás, erros eram mesmo com Rojas.

Eles podiam não ser futebolistas de grande calibre – Machairidis até se assustava quando via uma bola a mexer e Nuno Gomes tem enganado muita gente durante toda uma carreira devido à fantástica capacidade de tabelar como se fosse um flipper –, mas nem sempre interessa a técnica ao futebolista, para mais se falarmos no Benfica dos tempos loucos de Vale e Azevedo. Outros valores se devem então erguer. E eles estavam cá todos: a coesão na luta pelos seus direitos, o agarrar firme dos seus tintins, as costas erectas voltadas para os seus postes e a tentativa de, em grupo e com os corpos unidos, impedir que as bolas entrassem no seu reduto.
Lamentavelmente, a mensagem não passou de imediato e estes homens não viram os resultados imediatos do seu combate pela igualdade – para dizer a verdade, eram tempos em que o próprio Benfica mal conseguia chegar à igualdade em termos de placard.
Ânus, perdão, anos passaram e agora sim, imagens como esta são reconhecidas pelo Governo. Honra seja feita aos pioneiros.

Dentro de instantes, não percam a Gala Cromos da Bola 2009.
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